5 de outubro de 2010

Kissama

Parque Nacional Kissama



Passei o dia no Parque de Kissama. Saí bem cedo. O parque fica a mais ou menos 70 km de Luanda. Tem uma área de 9960 m2. Foi criado como Parque de Caça em 1938. Nessa época se iniciou o extermínio dos animais. Em 1957 se tornou Parque Nacional, mas a guerra civil ainda perpetuou a matança por vários anos.
Hoje em dia pouco existe do que já houve um dia. O meu guia durante o “safári” foi o velho Francisco. O coitado deve ter ficado cansado com as minhas milhares de perguntas.
Ele vai escolhendo o caminho e procurando na mata pelos animais. Logo que saímos ele disse “Olha o Gnô!”. Mas eu olhei e não vi nada. Meia hora mais tarde ele torna a mostrar o Gnô. E eu nada... Por fim eu se não era um Gnomo! Eita bicho pra sumir no meio da mato desse jeito! Rs    Só no terceiro ou quarto que o Seu Chico mostrou é que eu finalmente conseguir ver.
Vi também o Kudu. Mais um que eu não conhecia. O macho com chifres e a fêmea sem. O Golungo também, que chamamos de veado. Macacos; muitos pássaros diferentes, avestruzes e, finalmente, as girafas.


São lindas! Vi pelo menos 10 delas.



Faltou ver os elefantes, e as zebras! Que eu queria tanto estampar aqui. Seria a n° 3...
Definitivamente o passeio valeu a pena. Recomendo.

3 de outubro de 2010

Feitiço

Simpatias, feitiços, magias, mandingas, encantamentos, orações, amuletos, talismãs, feitiçaria, benzimentos, bruxaria, alquimia...
As pessoas aqui acreditam muito nos feitiços. Ouvi alguns casos que vou tentar recontar.
O primeiro foi o de um jovem que tinha problema no joelho, mas queria jogar futebol. O amigo com joelho bom faz o feitiço pra emprestar o joelho ao outro. Ele então pode entrar, jogar bola, e no final devolve o joelho.
Ouvi também a de uma menina que tinha convulsões. Jamais se suspeitou de epilepsia, mas sim de feitiço, trabalho, ou de estar possuída.
Mas o mais engraçado foi o do homem que estava com problemas de ereção. E procurou o feticeiro, que ‘tirou’ o órgão do rapaz. Disse que ele fosse pra casa e voltasse depois de alguns meses pra ‘colocar’ de volta, recuperado. Passado aquele período o homem volta à vila do feiticeiro, mas descobre que ele morreu! E agora, como faz pra devolver?! kkkkk
Em geral um feitiço consiste em algo que é uma necessidade urgente. E as amarrações amorosas são também famosas.
Queria eu poder acreditar no poder de um feitiço. Pra resolver os problemas, pra ajudar a tomar as decisões difíceis, fazer com que as pessoas atendam sempre às nossas expectativas. Pra simplificar a vida, tirar a ansiedade ou o que mais desejar... Com certeza o feitiço é uma bênção!

21 de setembro de 2010

Estrangeirismo

No Brasil ou em Angola encontramos esse tal estrangeirismo. Tirei uma foto de um lugar aqui chamado TAKE WAY. Acho que queriam se referir àquele tipo de lugar em que você faz pedidos rápidos para levar pra casa, ou seja, "to take Away".
O supermercado é EAT EAT...
Os nomes das empresas parecem ser mais "chiques" quando são em inglês. Mesmo se estiver errado.
Pelo menos os nomes próprios aqui ainda seguem as tradições do Kibundo, Umbundu, ou dos demais dialetos africanos.
Não vejo aqui os Maicons, Deividis, etc.
Viva a nossa língua portuguesa.

16 de setembro de 2010

A veia turismóloga

Gente, minha veia turismóloga pulsou mais forte no Miradouro da Lua, ponto famoso aqui da Angola. E realmente muito bonito. Mas o que me chamou a atenção foi a quantidade absurda de lixo no local.
E olha que ele foi totalmente limpo por uma construtora brasileira no início do ano. E agora 9 meses depois está como podem ver aí agora.
Eu fiquei imaginando um restaurante estilo o "Topo do Mundo" ali. Pelo menos uma cantina, lanchonete, ou o que quer que fosse.
Ainda assim vale muito o passeio. E esse dia entrou para os TOP 5 das lembranças de Angola.

14 de setembro de 2010

Et maintenant je suis une élève

Les nouveaux étudiante de français à l'Alliance Française Luanda!
O primeiro dia foi no mínimo engraçado.
Cheguei e entrei na sala de aula e me sentei em uma das mesas. Daquelas cadeiras com a mesinha igual do primário. Quase que minha perna não entra lá dentro.
Logo depois chega a professora, numa roupa africana bem estampada e turbante dourado na cabeça.
E não que o horário pudesse ter qualquer tipo de influência nesse traje, mas eram 14h.
Então ela pede que a turma faça um círculo e que todos dêem as mãos. Por um momento achei que ela fosse rezar antes de começar a aula.
Mas no fim era apenas para que as pessoas se apresentassem.
Entretanto ela não se apresentou. Disse apenas o nome: Je suis Madame Helena. E ai se não chamar de Madame. Percebi que a questão do respeito dos alunos está diretamente relacionada com a postura do professor também.
Terminada uma hora dessa dinâmica voltei para o meu lugar.
O ar condicionado estava gelado e comecei a sentir o lábio ressecado. Tirei então um brilho da bolsa e passei. Praaaa quê! A Madame vira pra mim e diz: "Guarde para depois da aula".
kkkkkkk. Só faltou ela tirar a palmatória também.
Passado algum tempo meu celular toca. Estava no silencioso, tudo sob controle. Mas claro que fui olhar o telefone e lá vem a Madame de novo: "Por acaso já está fadigada da aula?! Por isso não consegue se concentrar?"
Fala sérioooooo!
Isso porque a turma é lentíssima. Em duas horas de aula só vimos como Se Presenter e L'Alphabet.
Français eu não sei se vai render não, mas paciência eu vou ter que desenvolver e muita!

...
Dias depois....



·         Até que a aula tem me surpreendido. Estou gostando muito. O material é excelente e estou mesmo aprendendo. Já estou lendo Le Petit Prince en Français!
Mas tão valioso quanto o aprendizado está sendo a experiência de ter aulas num país estrangeiro. E de cultura diferente.
Na última aula levei mais uma bronca da madame, que disse que eu preciso estudar geografia. Estávamos fazendo um exercício e tínhamos que ligar os países a seus continentes. Mas eu disse que Áustria era na Europa e segundo ela fica na Oceania. E o pior, ninguém da sala se manifestou! Só um peruano percebeu e teve uma crise de riso. Que acabou me contagiando também. Surreal!

6 de setembro de 2010

Eu Professora

Nas últimas semanas eu estive dando aulas para uma turma de 20 angolanos. Na faixa dos seus 20 a 30 anos.
Todos com bom nível de educação, alguns universitários. Mas ainda assim é nítida a diferença da qualidade de ensino.
Chegavam e iam direto para o café da manhã. Bolacha água e sal com manteiga. Que comiam como eu comeria pão de queijo agora, meses longe da minha terrinha.
No almoço saíam os PF’s. Que também eram devorados da mesma forma.
O respeito deles pela figura do professor é algo que me impressionou. Enquanto no Brasil os alunos têm muitas vezes atitudes extremas de desrespeito, aqui é o Deus no céu e o professor na terra.
No início quando eu perguntei sobre a experiência deles, o que pretendiam aprender e as expectativas deles sobre o curso, alguns responderam que queriam um dia poder ensinar.
No último dia tive que tirar foto com um por um. Todos pedindo pra ter uma foto com a professora.
Depois pediram pra me filmar. Queriam que eu falasse em inglês pra eles verem.
Sim eu estou vivendo em um outro mundo. E a experiência de poder passar alguma coisa foi excelente.
Não sou exatamente a mais caridosa das almas. Muitas vezes aqui por medo ou por comodismo é mais fácil se trancar num pequeno mundinho. Mas faz bem conseguir sair um pouco.