4 de novembro de 2010

O Retorno!

Algumas pessoas ficaram surpresas comigo porque eu queria voltar mesmo para a Angola.
Ouvi frases como “Mas por que você quer voltar tão rápido?”. Ou ainda “Mas você está mesmo gostando?”. Como se fosse quase impossível gostar daqui. Sim, estou satisfeita com a vida que levo.
Acho mesmo que eu preciso de pouca coisa pra ser feliz.
Estou sentindo muita falta sim de poder ter um carro para fazer meus passeios, encontrar meus amigos, ir nas aulas de francês, ginástica. E preciso resolver isso o mais rápido possível.
É claro que chegar aqui de novo não deixa de ser um recomeço. Ou como nas séries de tv, uma nova temporada. Pra mim é natural repensar as prioridades, em como quero viver.
E quero terminar esse post com uma frase que gosto: “A Felicidade está em nós”. Pra mim é isso. Pode ser em BH, na Angola ou no Alabama. E por onde for, que ela esteja convosco. Amém.

18 de outubro de 2010

Deportada

Isso mesmo. É quase inacreditável, mas foi o que aconteceu.
Uma situação absurdamente constrangedora.
Por um erro de quem cuidava do meu visto, fui avisada que deveria deixar o país em no máximo 03 dias.
De repente você planeja sua vida, programa as férias, pensa no que vai fazer quando reencontrar a família, quer organizar tudo pra rever os amigos. Coisas que todo expatriado gosta de pensar com antecedência.
E de um dia para o outro você vê todos os planos escorrendo pelo ralo.
E olha que eu nem sou de planejar demais.
Mas a sensação é péssima. Acho que só quem já passou por algo parecido pode dizer.
Ter que juntar suas coisas e sair como se tivesse cometido um crime, feito algo de errado.
Ser escoltada por um oficial e não poder nem encostar no seu passaporte. Como se a qualquer momento você fosse fugir. Quase prisioneira até terem certeza de que está indo embora mesmo.
E o pior de tudo é ainda querer voltar pra esse lugar.
Sim! Podem me chamar de maluca!
Mas a minha maior preocupação o tempo todo era se conseguiria voltar.
E isso foi algo que só me dei conta quando aconteceu. Até bem pouco tempo atrás eu estaria mais do que pronta pra seguir com a vida cigana.
E de repente me descobri querendo ficar.
Para os que me conhecem fica óbvio que deve haver um belo motivo pra isso.
Fiz sim amigos muito queridos. Adoro a praia. Gosto da vida que levo em Luanda.
E senti um certo comodismo também em continuar onde já estou adaptada. Algo que também me pegou de surpresa.
Enfim, os últimos dias foram um turbilhão de emoções, poucas horas dormidas, despedidas, e agora reencontros, alegrias, dúvidas. Ai que saudade da vida tranqüila...

Comerciais de Tv

Aqui vão os meus comerciais de Tv favoritos.

10 de outubro de 2010

Algumas estatísticas

·         Dados de 2008 sobre Expectativa de Vida:
Mundo: 66,5 anos
Angola: 37,92 anos
Brasil: 72,86 anos

E o que isso muda na perspectiva de vida das pessoas?!
Logo que cheguei aqui ficava espantada com as mulheres na rua cheias de filhos. Elas próprias pareciam tão novas. As funcionárias, colegas de trabalho com seus vinte e poucos anos geralmente já são casadas e têm lá pelo menos uns 2 ou 3 filhos.
Elas acham um absurdo que eu seja solteira, que não tenha filhos. Ficam tentando arrumar pretendentes. Peguei no outro dia elas avaliando alguns homens no trabalho e dizendo: “Não, este é muito velho pra ela”. “Prefiro aquele outro ali, é mais bonito”.
E no início eu não entendia a pressa delas em se casar e ter tantos filhos. Mas quando parei pra pensar na expectativa de vida deles, comecei a perceber que até fazia sentido (E não que essa seja a única explicação).
A minha faixa de idade, por exemplo, corresponderia a 74% da vida de uma angolana. Ou seja, eu já estaria na reta final, mais pra lá do que pra cá... Talvez realmente devesse correr logo para arranjar o tal marido e os miúdos, se quisesse ver eles chegarem pelo menos à adolescência.
Mas de acordo com a expectativa brasileira eu teria vivido aproximadamente 38%. Diferencinha razoável. E olha que o Brasil nem é referência nesse quesito.


Mas tenho que acrescentar algumas correções. Em 2008 a expectativa de vida em Angola, segundo dados divulgados pelo Sr. presidente aumentou para 47 anos.
A mortalidade infantil passou de 150 para 110 mortes a cada 1000 nascidos.
A porcentagem de nascimentos assistidos por um profissional de saúde aumentou de 22 para 49%.
Mais de 60% das famílias angolanas não possuem "habitação digna".
47% dos cidadãos angolanos possui um telefone celular.

9 de outubro de 2010

Não quero lavar o carro!!!

Uma coisa que pode ser bem cansativa aqui são os pedintes. Estão por toda parte. E sempre chamam de “madrinha” e “pai grande”. E eu penso comigo “Madrinha é o C@#%¨%&!!!” Eu não tenho afilhado e muito menos filho do tamanho deles. Porque são adultos mesmo, marmanjos.
Mas achei engraçado dentro de um condomínio residencial, onde a toda hora eles batem na porta das casas pra pedir alguma coisa. E então vi essa placa:


Esse já chegou no nível de impaciência do Sr. Pimenta. kkkk
Será que eu estou chegando lá?!

8 de outubro de 2010

Falta água, falta luz, falta...

Um funcionário chegou contando que começou a assistir o jogo de futebol, mas só viu um pedaço porque depois a luz acabou.
Imagine aquela final de campeonato! O povo enlouqueceria.
E tem ainda a dificuldade para se estudar. Porque os pobres trabalham durante o dia e se quando chegam em casa a noite não tem luz, fica complicado. O jeito é tentar estudar com a lamparina.
E o mais curioso é que na área nobre da cidade isso acontece com menor freqüência. Já houve dias de sair a noite e ver tudo em volta escuro, mas só aquela pequena área da cidade bem iluminada.
A falta de água também é comum. Estou num hotel 4 estrelas e já fiquei sem água várias vezes. Você abre o chuveiro pra tomar banho e nada. E quando a água volta está daquela cor que já mostrei aqui antes.
E ainda reclamamos do mal cheiro de alguns. Mas nem todos têm acesso à água mesmo.





São tantas faltas...

5 de outubro de 2010

Miúdo

Miúdo
Eu pensei em contar aqui a história dessa foto. Mas achei tão fantástica, tão espontânea, que vou preferir deixar por conta da criatividade de vocês.
Que cada um imagine o que se passa nessa cena!
Eu vou sempre me lembrar só de bater o olho. Tirei a foto do meu celular, de dentro do carro. Sou encantada pela imagem.