20 de abril de 2011

Enquanto isso na academia...

Cheguei e fui logo me rematricular.
Na primeira aula de ginástica presenciei uma cena que me deixou boquiaberta. A aula foi às 10 horas da manhã. No final todas as alunas guardam os colchonetes no fundo da sala.
Mas uma aluna deixou o seu colchonete largado no chão. A outra viu e foi lhe chamar a atenção:
Sra. 1: Com licença, não é aí o lugar do colchonete. A Sra deve guardar ali.
Sra. 2: Eu estou cansada e vou deixar aqui mesmo. Mais tarde alguém vem arrumar a sala e guarda.
Sra. 1: Mas não é assim que funciona. Não custa nada a Sra guardar.
Sra. 2: Eu não estou afim e não vou guardar. E quem é você pra me dizer o que tenho que fazer??? Já virando as costas e saindo.
Fiquei impressionada como as pessoas podem se exaltar tanto ainda tão cedo. Eu estava saindo exausta da aula, o corpo relaxado, a mente mais ainda. Desnecessário.

18 de abril de 2011

Começar de novo

E contar conTigo
Vai valer a pena ter amanhecido...
Cá estou eu de volta à Luanda.
Pela primeira vez após um longo período de férias. Tão longo que me fez esquecer alguns detalhes. Que me fez por alguns instantes sentir um certo estranhamento ao redescobrir cheiros, lugares, sensações. Pequenas coisas nas quais reconhecemos um lugar. Sabe aquela coisa de cheiro de infância? Ou um perfume que te lembra uma pessoa, um lugar? Talvez até uma comida. Algo que marcou algum momento da sua vida.
Definitivamente a música daqui vai me fazer falta algum dia.
Acho estranho olhar pela janela e ver uma paisagem tão familiar e ao mesmo tempo tão distante. A possibilidade de ir embora e nunca mais ver uma imagem que fez parte da minha vida por tanto tempo.
Acho que mal cheguei e estou nostálgica. Mas é mais do que natural sentir saudades antecipadas. Saudade de um lugar que vai deixar saudade. De onde tenho sido a cada dia mais feliz.
E lá vou eu para minha terceira temporada da série Angola. So far, so good.

24 de março de 2011

Pack light

Tenho tentado aprender o "pack light" em todos os sentidos da expressão. Acabei de ler "A arte de ser leve".
E ironicamente estou começando a preparar minha mala para retornar à Angola. Que dificuldade... rs


"Coisas são só coisas
servem só pra tropeçar
têm seu brilho no começo
mas se viro pelo avesso
são fardo pra carregar
"




1 de fevereiro de 2011

Hotel Presidente

Morei no Hotel Presidente por alguns meses.
E assim minha experiência pode ser um pouco diferente da maioria das pessoas, ou dos demais hóspedes.
Logo que cheguei tive o choque com a água, que está num dos primeiros posts deste blog.
Senti falta de uma piscina e de um ginásio melhor.
A recepção do hotel é bonita, mas o resto do hotel ainda está sendo reformado. Já acordei vários dias com o barulho das obras na minha janela. Também já dei de cara com 2 pedreiros na janela do quarto. Aliás, são confortáveis os quartos, apesar de antigos. O carpete dependendo do quarto pode ter um cheiro desagradável.
Mas calma! Não quero falar só o ruim. Por incrível que pareça eu gosto do hotel!
É antigo, a TV precisa ser trocada por uma mais moderna. Os quartos podiam ainda ter cafeteira, relógio-despertador, ferro de passar roupa. Algumas ‘amenidades’ que por aqui não são mesmo muito comuns.
Mas a segurança é excelente. A arrumação dos quartos também. Nunca tive problema com nada que sumisse ou com a limpeza.
O restaurante é maravilhoso. O café da manhã é uma delícia. No almoço um Buffet ótimo. Difícil aqui é manter o peso.
Além disso, a simpatia do pessoal: porteiros, bagagistas, a equipe do restaurante, do bar.
Tive uma excelente estada no hotel e apesar dos pesares RECOMENDO!

31 de janeiro de 2011

Vai ter luta!!!

Um dia desses eu saí do trabalho e pedi ao motorista para parar em alguma farmácia no caminho.
Logo que ele viu uma, encostou o carro e eu desci.
Comprei meu remédio, e no máximo 5 minutos depois já estava voltando. Mas havia um segurança parado na porta do carro.
Ele xingava o motorista e perguntava por que ele não o respeitava. Se era angolano por que não podia lhe respeitar já que quem ele levava não eram angolanos. (Preconceito às avessas)...
E o segurança gritando e se exaltando cada vez mais. E não deixando com que eu entrasse no carro.
Eu fiquei perplexa e sem entender como aquilo tudo havia começado.
Então o motorista desceu do carro, e o outro o seguiu. Assim consegui entrar e trancar logo a porta.
Mas o mais engraçado foi quando o motorista deu um empurrão bem forte no peito dele. Eu achei que o outro ia partir pra cima e os dois iam se matar chão afora, como já vi tantas vezes no trânsito por aqui.
Mas ao contrário o outro murchou. Encolheu. Intimidou-se. kkkk
Afinal era só barulho. Queria ganhar no grito.
Depois vi que o coitado queria apenas mostrar serviço mesmo. Havíamos encostado o carro em frente ao pequeno restaurante em que ele trabalha. E ele veio tirar satisfação.
Enfim, seria cômico senão fosse trágico.
Ou melhor, dessa vez foi cômico, mas poderia ter sido trágico.

10 de janeiro de 2011

chIque, chEque, chOque!!!

Mais uma expressão tipicamente angolana...
CHIQUE – aquele com quem você passeia de mãos dadas no shopping, chega nos eventos sociais e de forma geral desfila pela cidade.
CHEQUE – aquele que paga as suas contas. Do restaurante, da academia de ginástica, das lojas, cabelereiro e quem sabe até água, luz e telefone!
CHOQUE – aquele com quem você sente saírem faíscas, arrepio, frio na barriga, aquela coisa de pele. Ou seja, aquele que dá choque mesmo.
E me garantiram que tem muita angolana que tem os 3 ao mesmo tempo. Só não entendi bem se são 3 pessoas, ou um 3 em 1. Talvez 2 em 1+1. Parece que não sou boa em matemática! ;o)

5 de janeiro de 2011

Linguagem Universal

É a linguagem do corpo. E não pensem logo bobagem!
Estou falando de expressão corporal. Daquela reação que aparece no rosto da pessoa por uma fração de segundos. E que só os atentos percebem. É o que o corpo diz independentemente do resto. E que podemos compreender em qualquer parte do mundo porque vai além do idioma ou da cultura.
E o que me inspirou a escrever hoje foi uma aula de ginástica.
Algo que hoje encontramos em toda parte e que faz tão bem! Pela primeira vez fiz uma aula numa academia aqui em Luanda. E foi uma delícia.
Quer dizer, não começou tão bem...
Primeiro o problema dos preços.
A matrícula, que eles chamam de jóia, tem o preço de uma jóia mesmo. U$150,00! Só matrícula gente. Pra começar a brincar.
Numa academia boa, mas que não está entre as TOP's, a mensalidade varia de U$80,00 a U$140,00. 
Depois desse primeiro choque, entrei numa das salas pra fazer aula de Fit Step. Que é nada mais, nada menos, que um nome moderninho para aquela veeeelha aula de step de 1800 e antigamente.
Pra completar a professora era chilena, eu brasileira, duas alunas angolanas e uma outra tão branquinha que devia ser da Sibéria ou da Finlândia. Umas coreografias parecendo 'Dança dos Famosos'. Toda hora ela parava, desligava o som e mandava a gente repetir. Fazer bem lento até pegar. Ai que preguiça!
Em outros tempos eu ficaria lá. Sofrendo, mas agüentaria até o fim. Só que dessa vez perdi a paciência. No meio da aula parei e guardei meu step. Aí a chica preguntou o que havia. Eu disse que não dava. ‘Desisto!’.
Estava era louca pra chegar a tempo no Total Training. A sala era bacanérrima. É como se fosse spinning, mas tem esteira, elíptico e bicicleta. Um som bombante, professor angolano super animado e ótimo Dj. Aí prontos pá! Me senti em casa.
A aula parecia feita pra mim. Os exercícios todos pareciam desenvolvidos pelo meu personal. Creio que porque a grande maioria das angolanas são como eu: bundão, coxa grossa. Haja aeróbico pra dar conta de tanto material. E no fundo acho que eu é que sou como elas. Pelo jeito eu definitivamente tenho um pezinho no continente de cá...