1 de fevereiro de 2011

Hotel Presidente

Morei no Hotel Presidente por alguns meses.
E assim minha experiência pode ser um pouco diferente da maioria das pessoas, ou dos demais hóspedes.
Logo que cheguei tive o choque com a água, que está num dos primeiros posts deste blog.
Senti falta de uma piscina e de um ginásio melhor.
A recepção do hotel é bonita, mas o resto do hotel ainda está sendo reformado. Já acordei vários dias com o barulho das obras na minha janela. Também já dei de cara com 2 pedreiros na janela do quarto. Aliás, são confortáveis os quartos, apesar de antigos. O carpete dependendo do quarto pode ter um cheiro desagradável.
Mas calma! Não quero falar só o ruim. Por incrível que pareça eu gosto do hotel!
É antigo, a TV precisa ser trocada por uma mais moderna. Os quartos podiam ainda ter cafeteira, relógio-despertador, ferro de passar roupa. Algumas ‘amenidades’ que por aqui não são mesmo muito comuns.
Mas a segurança é excelente. A arrumação dos quartos também. Nunca tive problema com nada que sumisse ou com a limpeza.
O restaurante é maravilhoso. O café da manhã é uma delícia. No almoço um Buffet ótimo. Difícil aqui é manter o peso.
Além disso, a simpatia do pessoal: porteiros, bagagistas, a equipe do restaurante, do bar.
Tive uma excelente estada no hotel e apesar dos pesares RECOMENDO!

31 de janeiro de 2011

Vai ter luta!!!

Um dia desses eu saí do trabalho e pedi ao motorista para parar em alguma farmácia no caminho.
Logo que ele viu uma, encostou o carro e eu desci.
Comprei meu remédio, e no máximo 5 minutos depois já estava voltando. Mas havia um segurança parado na porta do carro.
Ele xingava o motorista e perguntava por que ele não o respeitava. Se era angolano por que não podia lhe respeitar já que quem ele levava não eram angolanos. (Preconceito às avessas)...
E o segurança gritando e se exaltando cada vez mais. E não deixando com que eu entrasse no carro.
Eu fiquei perplexa e sem entender como aquilo tudo havia começado.
Então o motorista desceu do carro, e o outro o seguiu. Assim consegui entrar e trancar logo a porta.
Mas o mais engraçado foi quando o motorista deu um empurrão bem forte no peito dele. Eu achei que o outro ia partir pra cima e os dois iam se matar chão afora, como já vi tantas vezes no trânsito por aqui.
Mas ao contrário o outro murchou. Encolheu. Intimidou-se. kkkk
Afinal era só barulho. Queria ganhar no grito.
Depois vi que o coitado queria apenas mostrar serviço mesmo. Havíamos encostado o carro em frente ao pequeno restaurante em que ele trabalha. E ele veio tirar satisfação.
Enfim, seria cômico senão fosse trágico.
Ou melhor, dessa vez foi cômico, mas poderia ter sido trágico.

10 de janeiro de 2011

chIque, chEque, chOque!!!

Mais uma expressão tipicamente angolana...
CHIQUE – aquele com quem você passeia de mãos dadas no shopping, chega nos eventos sociais e de forma geral desfila pela cidade.
CHEQUE – aquele que paga as suas contas. Do restaurante, da academia de ginástica, das lojas, cabelereiro e quem sabe até água, luz e telefone!
CHOQUE – aquele com quem você sente saírem faíscas, arrepio, frio na barriga, aquela coisa de pele. Ou seja, aquele que dá choque mesmo.
E me garantiram que tem muita angolana que tem os 3 ao mesmo tempo. Só não entendi bem se são 3 pessoas, ou um 3 em 1. Talvez 2 em 1+1. Parece que não sou boa em matemática! ;o)

5 de janeiro de 2011

Linguagem Universal

É a linguagem do corpo. E não pensem logo bobagem!
Estou falando de expressão corporal. Daquela reação que aparece no rosto da pessoa por uma fração de segundos. E que só os atentos percebem. É o que o corpo diz independentemente do resto. E que podemos compreender em qualquer parte do mundo porque vai além do idioma ou da cultura.
E o que me inspirou a escrever hoje foi uma aula de ginástica.
Algo que hoje encontramos em toda parte e que faz tão bem! Pela primeira vez fiz uma aula numa academia aqui em Luanda. E foi uma delícia.
Quer dizer, não começou tão bem...
Primeiro o problema dos preços.
A matrícula, que eles chamam de jóia, tem o preço de uma jóia mesmo. U$150,00! Só matrícula gente. Pra começar a brincar.
Numa academia boa, mas que não está entre as TOP's, a mensalidade varia de U$80,00 a U$140,00. 
Depois desse primeiro choque, entrei numa das salas pra fazer aula de Fit Step. Que é nada mais, nada menos, que um nome moderninho para aquela veeeelha aula de step de 1800 e antigamente.
Pra completar a professora era chilena, eu brasileira, duas alunas angolanas e uma outra tão branquinha que devia ser da Sibéria ou da Finlândia. Umas coreografias parecendo 'Dança dos Famosos'. Toda hora ela parava, desligava o som e mandava a gente repetir. Fazer bem lento até pegar. Ai que preguiça!
Em outros tempos eu ficaria lá. Sofrendo, mas agüentaria até o fim. Só que dessa vez perdi a paciência. No meio da aula parei e guardei meu step. Aí a chica preguntou o que havia. Eu disse que não dava. ‘Desisto!’.
Estava era louca pra chegar a tempo no Total Training. A sala era bacanérrima. É como se fosse spinning, mas tem esteira, elíptico e bicicleta. Um som bombante, professor angolano super animado e ótimo Dj. Aí prontos pá! Me senti em casa.
A aula parecia feita pra mim. Os exercícios todos pareciam desenvolvidos pelo meu personal. Creio que porque a grande maioria das angolanas são como eu: bundão, coxa grossa. Haja aeróbico pra dar conta de tanto material. E no fundo acho que eu é que sou como elas. Pelo jeito eu definitivamente tenho um pezinho no continente de cá...

28 de dezembro de 2010

Natal em Luanda

Eu já tinha comentado antes, aqui mesmo no Blog, sobre alguns amigos muito especiais que encontrei em Luanda.
E essa família angolana realmente me recebeu de braços abertos desde que cheguei aqui. E agora mais uma vez me convidando pra participar da festa de Natal deles.
Julay e a tia Chica:

Uma ceia maravilhosa no dia 24 com direito a bacalhau, polvo, leitão, lombo e mais uma variedade imensa de sobremesas e castanhas. Uma das delícias, vinda de Portugal, se chama Lampréia. E essa eu fiz questão de fotografar também. À base de ovos lembra um quindim gigante. 

A família toda coloca as ‘prendas’ na árvore e depois da meia noite fazem a entrega. Até eu ganhei presentes! =))
Dario e a camisa do meu Brasil:



No dia seguinte tem almoço de novo com todo mundo reunido. A festa dura o fim de semana todo.
Confesso que essa coisa de fim de ano mexe um pouco comigo. É inevitável fazer aquela retrospectiva e assistir a um filminho que passa na cabeça.
É inevitável não sentir saudade imensa da minha família e dos amigos que deixei lá longe. Foi muito bom falar com alguns de vocês nesse dia. É assim que percebemos quem nos considera. Um amigo me disse uma frase ontem que concordo absolutamente: “A distância constrói laços interessantes, fortalece os importantes e afasta os temporais”. E é o que tenho sentido aqui à distância. Vocês são muito importantes e aprecio imensamente que se façam sempre presentes nessas horas.
Esse ano de 2010 trouxe surpresas inimagináveis. Acredito mesmo que Deus iluminou meu caminho e colocou sempre pessoas como estas ao meu lado nos momentos em que eu precisei.
Só tenho a agradecer e esperar que em 2011 eu possa continuar iluminada. E que seja tão feliz quanto 2010, porque no fim é isso que importa!
E aproveito, ainda, pra desejar a todos que passam por aqui um excelente 2011!
Beijos.

13 de dezembro de 2010

Fortaleza de São Miguel


A Fortaleza de São Miguel localiza-se no antigo monte de São Paulo, nas proximidades da Ilha de Luanda.
Foi erguida em 1575 a primeira estrutura defensiva construída em Luanda (e em Angola). Foi reconstruída algumas vezes ao longo da história.
Abriga na atualidade o Museu das Forças Armadas, que infelizmente encontra-se fechado. Toda a área está em reforma. Ainda assim consegui andar pelo lado de fora e apreciar essa vista fantástica.


Barra do Dande

Esse é o nome do lugar onde o Rio Dande deságua no Atlântico. Fica próximo a Caxito, na província do Bengo, a 55 km ao norte de Luanda.

Lá existe um “complexo turístico” chamado Pasárgada. Nele há pequenos chalés para hospedagem, piscina e um restaurante bem gostoso, na beira da água. É bem arborizado e tem um clima de sombra e água fresca. Mas só está aberto nos fins de semana.
Durante a semana o jeito é se aventurar no pequeno restaurante local, onde até comi um peixe grelhado delicioso. O tempero especial eu prefiro que permaneça em segredo. Melhor nem saber...
Por um instante me peguei imaginando quem por opção escolheria viver naquele lugar. Ter uma pousada e resolver ficar por ali. E a melhor explicação que encontrei foi no próprio Manuel Bandeira:


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei



Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive



E como farei ginástica

Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada



Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar



E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada”

Valeu a visita. Mas a Barra do Dande não estaria na minha lista de prioridades. A água do rio, pelo menos no dia do meu passeio estava bem escura. Sem falar que por aqui sempre duvido da água de um rio que veio passando não sei onde, e onde se toma banho, lava roupa e etc...
O trânsito no trajeto é péssimo. E definitivamente ainda acho Cebo Ledo e Sangano opções muito mais interessantes.